O porco é uma fonte de peptídeos de colágeno relativamente esquecida. Contudo, faz parte de nossas dietas há muitos anos. Neste artigo, veremos o que é colágeno suíno, sua história e por que está novamente em alta no mundo ocidental. 

O que é colágeno?

Colágeno é uma proteína que pode ser encontrada em todos os animais, incluindo em humanos. Basicamente, é o que mantém a estrutura o corpo. Os níveis mais altos de colágeno são encontrados em tecidos conjuntivos, ossos e pele. 

Este tipo de colágeno não processado é popularmente conhecido como «colágeno nativo». 

Colágeno nativo vs. peptídeos de colágeno 

O colágeno nativo é de difícil digestão. Assim, para ter valor nutricional, o colágeno nativo precisa ser processado em peptídeos de colágeno para biodisponibilidade. Este processo é conhecido como «hidrolisação», que envolve a decomposição das ligações moleculares entre as fibras individuais de colágeno em pequenos peptídeos, que podem ser digeridos e absorvidos pelo corpo.

Estes peptídeos são depois usados em vários suplementos benéficos que contribuem para a saúde da pele, ossos e articulações.

  • Solubilidade, absorção e digestibilidade variam entre diferentes graus de colágeno

O que é colágeno suíno?

Atualmente, o porco é uma das carnes mais populares no mundo, representando 36% do consumo de carne do mundo. O colágeno suíno é derivado do porco, especificamente dos ossos e da pele. Assim, quer você tenha consciência disso ou não, o colágeno suíno é muito importante em nossas dietas.

Embora você possa não ter ouvido falar de colágeno suíno, provavelmente ouviu falar de «gelatina de porco», um agente gelificante encontrado em confeitos e nas gominhas. É derivada do colágeno suíno. (Na verdade, é um dos ingredientes que torna a gelatina aquilo que ela é!)

Se alguma vez você cozinhou um joelho ou pernil de porco em um guisado ou sopa, pode ter reparado que o líquido se transforma em uma gelatina quando esfria - é gelatina, basicamente. 

Esta gelatina é rica em peptídeos de colágeno e é mais biodisponível do que o colágeno suíno nativo. Contudo, sua digestibilidade ainda é inferior quando comparada com os peptídeos de colágeno puro.

Colágeno suíno: um nutriente da nossa história

Os vestígios arqueológicos sugerem que os porcos foram um dos primeiros animais domesticados na história da humanidade, uma evolução que provavelmente teve origem na caça ao javali. Por isso, quando você pensa no fato de que o colágeno suíno é extraído e tornado mais digerível através do processo de cozimento, e no fato de que os humanos cozinham porco há milhares de anos, é seguro afirmar que o colágeno suíno faz parte de nossas dietas desde sempre. 

Nossos antepassados beneficiavam muito do consumo de colágeno suíno, pois contribuía para uma melhoria da saúde das articulações e dos ossos, o que lhes proporcionava o estímulo atlético que necessitavam para sobreviver na natureza e criar civilizações em todo o mundo.

Como o colágeno suíno se transformou em saborosas iguarias

Ao longo de milênios, a luta pela sobrevivência significava que as pessoas não podiam se dar ao luxo de desperdiçar. Assim, nossos antepassados usavam o porco inteiro, incluindo pés, ossos e tecidos conjuntivos (como as cartilagens), todos contendo altos níveis de colágeno. Estes eram cozidos para produzir densos caldos nutritivos e guisados. O colágeno tornava os caldos e guisados espessos e cremosos, o que proporcionaria a nossos antepassados maior conforto nos dias frios de inverno. 

À medida que a civilização evoluiu, as pessoas descobriram que podiam extrair o colágeno dos caldos espessos e usá-lo como um ingrediente. Este acabou evoluindo para geleia, um saboroso caldo que deu origem à criação de todo o tipo de pratos incríveis, encontrados nas cozinhas de todo o mundo. O músculo é um desses pratos, originário da Europa e que se espalhou para outras partes do mundo. 

O músculo é simplesmente carne (geralmente, cabeça e pele de porco) conservada em caldo. Depois, é fatiada e consumida. Até hoje, é possível encontrar variações do músculo em todo o mundo. Por exemplo, os vietnamitas têm thịt nấu đông e os russos têm khodolets, que é popular na época do Natal. Também podemos encontrar caldos em outros pratos famosos. Na França e no Reino Unido, encontramos o caldo no pâté en croute e na torta de porco, respectivamente. 

O caldo não é a única forma de manter a tradição viva.

Na Ásia Oriental, os produtos de porco são extremamente populares, o que significa que o colágeno suíno faz parte de suas dietas. Eis alguns exemplos: 

  • Os habitantes de Okinawa guisam seu porco lentamente, o que lhes oferece uma dose saudável de colágeno 
  • O Ramen, um caldo com massa, popular no Japão, contém muito colágeno, graças à grande quantidade de ossos de porco usados em sua preparação
  • Os pés de porco (que contêm uma grande quantidade de colágeno) são muito populares na China 

 

  • [Translate to Portuguese:] Japanse tonkotsu ramen (pork bone based)

Na verdade, os britânicos estão redescobrindo os pés de porco

Até meados do século XX, os pés de porco eram populares entre a classe trabalhadora britânica Mas caíram em desuso devido à ideia de que eram os cortes baratos das partes indesejáveis do animal. Contudo, de acordo com a BBC, os pés de porco estão de volta ao Reino Unido, o que significa que o colágeno suíno está desfrutando de um ressurgimento. 

E o ressurgimento continua... 

Atualmente, o colágeno alimentício é muito valorizado. Tomemos como exemplo a recente tendência do «caldo de ossos». Assim como nossos antepassados, as pessoas consomem caldos ricos em colágeno como forma de melhorarem suas dietas e de conhecerem sensações saudáveis e reconfortantes. É esta tendência que está alimentando a volta do colágeno suíno no Ocidente porque, ao cozinharem suas sopas e caldos caseiros, as pessoas optam por cortes acessíveis, como pés, ossos de porco e, ao fazê-lo, estão redescobrindo o quão deliciosos e nutritivos são estes produtos ricos em colágeno. 

O porco é uma fonte importante de peptídeos de colágeno no Japão.

No Japão - especialmente entre as mulheres - há uma grande procura por peptídeos de colágeno, pois trazem vários benefícios à saúde e à beleza. Quase todas as farmácias japonesas têm um vasto leque de suplementos de colágeno em vários formatos, desde bebidas especialmente formuladas até pós versáteis que podem ser usados de maneiras diferentes. Muitos destes suplementos derivam do colágeno suíno, que, graças à importância do porco na cozinha japonesa, é geralmente aceito como sendo uma fantástica fonte de peptídeos de colágeno.

A importância da fonte, saúde e rastreabilidade

Contudo, quando se trata de adquirir colágeno suíno, nunca é demais salientar a importância da qualidade, segurança e rastreabilidade. Para obter os peptídeos de colágeno mais puros e mais eficazes, o colágeno de origem deve passar por um rigoroso processo de controle de qualidade, por exemplo, deve ser proveniente de porcos que tiveram um excelente nível de bem-estar e os processos de produção devem respeitar os mais altos padrões da indústria. 

Um dos melhores locais para adquirir colágeno suíno é a UE. Isto graças às regras rigorosas de proteção do bem-estar dos porcos. As regulamentações mais rigorosas garantem que a alimentação do porco é composta por matéria vegetal, como forragens, trigo, milho, espiga e soja; e que quaisquer minerais, vitaminas, gordura extra e proteína adicionados também são de origem vegetal. 

Por último, é fácil fazer afirmações sobre sua origem. Mas podem ser comprovadas? A rastreabilidade comprovável é essencial para garantir que os peptídeos de colágeno derivados do porco realmente respeitam os mais altos padrões.

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